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O que é neurose, psicose e perversão?

No Brasil, há ainda muita confusão sobre o que é neurose, psicose e perversão. Erroneamente, graças a vertentes lacanistas propulsionadas por psicólogos moralistas (leia-se: preconceituosos), acredita-se que perversão seja uma “estrutura clínica” dentro da psicanálise. Neste texto, veremos o que são as supostas “estruturas clínicas” e por qual razão a perversão não faz parte delas.

O que são estruturas clínicas?

O termo “estrutura clínica” é um termo utilizado por terapeutas lacanianos que seguem a corrente lacanista de terapia. Não é um termo psicanalítico, portanto o seu uso dentro da psicanálise é totalmente inadequado. Para o lacanismo (doutrina dos que seguem Jacques Lacan), a “estrutura clínica” é a solidificação da resolução do complexo de Édipo. Ou seja, conforme o indivíduo encontra uma solução para esse conflito, irá se tornar neurótico, psicótico ou perverso.

Novamente, é importante lembrar, isso não faz parte da teoria psicanalítica. A ideia de que a resolução do conflito edípico seja definitiva na forma em que o indivíduo lidará com o mundo não tem qualquer relação com os ensinamentos de Freud ou de qualquer outro autor dentro da psicanálise.

Então o que é neurose, psicose e perversão?

Tanto a neurose quanto a psicose são resultados dos conflitos vividos pelo bebê na sua relação primária. Isto é, a depender da relação que o bebê tem com o seio/mamadeira, poderá desenvolver estratégias neuróticas ou psicóticas para viver em sociedade. Além disso, a estratégia adotada pelo bebê pode mudar constantemente. Isso significa que um neurótico pode pender à psicose, assim como um psicótico pode pender à neurose durante toda a vida.

A perversão não tem qualquer relação com neurose ou psicose, portanto não pode ser considerada como uma ação resolutiva do conflito edípico, tampouco como estrutura clínica.

Para fins de compreensão, a perversão é uma faceta da pulsão de morte (presente em todos nós na mesma medida que a pulsão de vida). Como resultado, desde que nascemos somos perversos na mesma proporção em que contemplamos o júbilo da vida. Em nossas relações primárias, fazemos investidas sempre que queremos a gratificação. Tais investidas, como frutos da pulsão de morte, utilizam-se das tendências predominantes do bebê para sua execução: sádico-oral, sádico-anal e sádico-uretral. Essas execuções, são portanto, o suprassumo da perversão presente em todos nós.

Como a pulsão de vida e pulsão de morte são executadas constantemente na mesma proporção, vivemos a perversão constantemente, independentemente se somos neuróticos ou psicóticos.

A partir de agora, lembre-se: sempre que alguém disser que “neurose, psicose e perversão” são estruturas clínicas na psicanálise você estará diante de uma falácia com fins nosográficos, cujo único objetivo é a perpetuação de preconceitos e estereótipos.

11 comentários em “O que é neurose, psicose e perversão?”

  1. Desculpem a minha ignorância… Iniciando o curso… E um infinito a saber….
    Pergunta:
    Perversão: Pulsão de Morte
    Júbilo de vida: Pulsão de vida ( libido)

    Como diz no texto:
    ” Presente em todos nós na mesma medida…”
    Ok…
    Mas expor Las ou trazer a prática, digo “a perversão e o jubilo de vida”, estariam tbm relacionados ao ID ou SUPEREGO dominantes?

    Obrigado…

  2. Interessante essa desconstrução; só poderia vir com exemplos de funcionamento de estrutura, para analisarmos com mais elementos. Obrigada.

  3. Adriana dos Santos Lima

    Estou gostando muito desse curso ,porém tenho que pesquisar muitas palavras por nao saber o siguinificado .
    Isso é ótimo porque estou aprendendo em dobro .

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